Rádio fora do ar!
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Rádio fora do ar!

26/04/2017 a 27/05/2017

Usina Cultural

13h

Gratuito

Cópias, Fantasmas e Simulacros

Trabalho baseado no caos e na singularidade

 Dib Curi - fotógrafo desde 1980. A fotografia sempre  foi, para ele, um espaço privado de expressão  pessoal, de terapia ocupacional criativa e de estudos  conceituais ligados à Filosofia. Desde àquela época  preferiu manter este seu hobby de pesquisa em  segredo por ter uma imensa necessidade de  privacidade e de solitude. Na medida em que  considerou que esses estudos estéticos alcançaram  alguma maturidade, despertou a vontade de  compartilhar as descobertas que fez, através das  imagens criadas, com um público mais amplo de conhecidos, amigos e interessados nas coisas da Arte. A exposição "Cópias, fantasmas e simulacros" é uma coletânea de fotos deste último período, numa busca incessante de se afastar dos clichês, padrões e hábitos e também de alienar as formas conhecidas de seus significados habituais, sempre à partir de uma percepção pessoal da significância, da singularidade e do caos.

Dib Curi fala sobre a exposição: 

"Me incomodou sempre a aparente inconsciência das pessoas sobre a relação que existe entre aquilo que se pensa e aquilo que se vive, a ponto de tomarmos a realidade por algo de tão concreto que ela não é, pois é aquilo que criamos. Assim, o realismo acaba sendo nossa prisão e nossa maior ilusão.
Após cinco mil anos de civilização, com seus hábitos interesseiros e realismos inconscientes, vivemos um esgotamento formal e linguístico sem precedentes. Enfastiados da mesmice e da rotina da nossa (in) significância, ansiamos pela reconstrução em todos os níveis, o que nos coloca a exigência de uma desconstrução radical do realismo. O espaço estético (arte) é o terreno, por excelência, da desconstrução e  da reinvenção.
O fato é que tudo que vivenciamos adquiriu um significado repetitivo, corriqueiro, prosaico e enfadonho, pois colocamos todas as formas cativas em significados fixos e sentidos autorizados. Apresento formas aquém deste estabelecido, deste tedioso desfilar de semelhanças. Aqui, o flash ilumina as matérias desinformadas e as formas desterritorializadas.
Pois é preciso romper com nossa tendência de querer reconhecer identidades e semelhanças em tudo, divorciando e libertando o presente do passado e nos desvencilhando do interesse e da moral. Um novo organismo, um novo trabalho e o fim dos clichês da linguagem. Permitir o fluxo livre das diferenças no regime caótico-poético dos signos. Mergulhar nas imagens informadas e desinformá-las, retirando-as de suas significações corriqueiras, tornando-as autônomas na experiência estética".