Dave Holland Big Band - Triple Dance
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Dave Holland Big Band
Triple Dance

11/06/2017 a 30/07/2017

Galeria KM7

16h

Gratuito

Proximal

Coleção Marcelo Torres Zozza


Galeria KM7 - Rua Margarida Brantes, 265 - Venda das Pedras - N. Friburgo


A coleção de arte de Marcelo Bozza reúne trabalhos que, provavelmente, não compartilhariam o mesmo espaço (em catálogos e expografias tradicionais), mas que, uma vez colocados em contato, “se dão bem de cara” e criam uma atmosfera inusitada de diálogo e familiaridade. É, no acaso do encontro, que descobrimos pontos em comum e nos aproximamos.
Em um destes encontros, pergunto a Marcelo de onde veio a vontade de exibir sua coleção particular. Como pesquisador e cientista, ele não titubeia: “a natureza da coleção é ser exposta”. E ao deslocar do privado para o público, da casa para a galeria, compartilha um pouco da convivência íntima que ele (e sua família) têm com estas obras e seus autores.
Proximal é, então, reflexo de uma experiência cotidiana e afetiva. Afinal, artistas e cientistas, colecionadores e curadores são motivados por suas investigações pessoais. Sendo assim, a exposição é também um exercício de compreensão da própria coleção: “como exibir?” e “em que ponto o processo de colecionar se cruza com a questão curatorial?”...
Das nossas conversas ficou claro que não se trata de evidenciar “critérios de colecionismo”. Inclusive, porque tenho certa desconfiança a respeito destes parâmetros que, não raras vezes, são mutáveis e inapreensíveis. Essa reunião (mais que uma seleção) de obras de arte é, sim, resultado de escolhas, mas também de oportunidades, encontros, desejos. Em vez de buscar um discurso legitimador para o colecionismo, Marcelo celebra seu feeling de colecionador: entre um trabalho e outro, constitui uma coleção junto aos artistas, por meio de gestos de incentivo, atitudes de amizade e ações de reconhecimento. O que se expõe, então, são “efeitos de conjunto”: tentamos traduzir no espaço o percurso intuitivo e não-linear que tem formado esta coleção. E este arranjo afetivo permite desviar, ainda que momentaneamente, de critérios definidos por notoriedade, valor artístico e/ou financeiro, pontos de vista históricos e/ou formais - algo que o apego (ou o vício) às categorias tradicionais de organização e valoração artísticas, provavelmente, não permitiria acontecer.
É daí que, por exemplo, coabitam a mesma casa: o primeiro trabalho vendido pela iniciante Maíra Barillo e a obra do veterano Ronald Duarte. Os tridimensionais minimalistas de Elmar Thome com a subversão dos objetos cotidianos de Daniela Seixas. A cartografia anatômica de Arjan Martins com as paisagens abandonadas de Jonas Arrabal. Os desenhos urbano-contemporâneos de Virgílio Neto com os desenhos antropofágicos de Flávio de Carvalho.
E isso só para dar uma pincelada (injusta e superficial) no que Proximal exibe. O colecionismo tem como valor intrínseco o tempo. Seu registro e apagamento. Valores de permanência e desgaste. Questionamentos sobre memória e momento. Incentivo e investimento.
Para Marcelo, as obras de sua coleção têm algo de “fósseis contemporâneos”. Alguns pelos materiais, outros pelas técnicas e até pelos contextos em que foram produzidos. Mas todas falam de um presente que já nasce contaminado de muitos outros tempos, constituindo registros vivos do ecossistema das artes. Para além das construções narrativas que uma coleção pode desencadear, seu acervo pessoal tem uma dinâmica própria, uma pluralidade fascinante. Uma espécie de arqueologia que estabelece conexões entre autores e revela ligações entre obras, colocando os artistas no centro do processo.

Texto: Ludimilla Fonseca

KM7