20 frases com análise morfológica comentada
Este guia reúne 20 frases com análise morfológica comentada para ajudar você a reconhecer substantivos, verbos, adjetivos, pronomes, advérbios, preposições e outras classes de palavras em diferentes contextos.
A análise morfológica é o estudo da classe gramatical de cada palavra em uma oração ou período. Em vez de investigar o papel que o termo desempenha na estrutura da frase, ela procura identificar sua natureza: se é substantivo, artigo, adjetivo, verbo, pronome, numeral, advérbio, preposição, conjunção ou interjeição.

Essa distinção é essencial para interpretar textos, escrever com mais segurança e resolver questões escolares, vestibulares e concursos. Uma mesma palavra pode pertencer a classes diferentes conforme o contexto; por isso, memorizar definições não basta. É necessário observar a frase inteira e perceber como a palavra foi empregada.
A seguir, você encontrará explicações objetivas, um método de resolução e 20 exemplos comentados. O foco está na análise de palavras dentro de situações reais de uso, com atenção especial aos casos que mais costumam causar dúvida.
O que é análise morfológica
Análise morfológica é a identificação da classe de cada vocábulo de uma frase. Por exemplo, em “A criança leu o livro”, “a” é artigo definido, “criança” é substantivo comum, “leu” é verbo, “o” é artigo definido e “livro” é substantivo comum.
Ela não deve ser confundida com a análise sintática. A morfologia responde à pergunta “que tipo de palavra é esta?”. Já a sintaxe responde “que função esta palavra ou expressão exerce na oração?”. Em “Os alunos estudaram”, “alunos” é substantivo na análise morfológica e sujeito na análise sintática.
Morfologia e sintaxe: comparação necessária
As duas análises se complementam, mas são feitas em etapas diferentes. Primeiro, é útil reconhecer a classe gramatical; depois, se a atividade pedir, pode-se determinar a função sintática. Essa ordem reduz confusões, sobretudo com pronomes, advérbios e palavras que mudam de classe de acordo com o emprego.
| Tipo de análise | Pergunta principal | Exemplo com “casa” |
|---|---|---|
| Morfológica | Qual é a classe da palavra? | “Casa” é substantivo em “A casa é antiga”. |
| Sintática | Qual função ela exerce? | “A casa” é sujeito em “A casa é antiga”. |
| Semântica | Qual sentido foi produzido? | “Casa” pode indicar moradia, lar ou instituição. |
Também é importante lembrar que algumas classificações podem ser detalhadas. Um substantivo, por exemplo, pode ser comum ou próprio, concreto ou abstrato, simples ou composto. Um pronome pode ser pessoal, possessivo, demonstrativo, indefinido, interrogativo, relativo ou de tratamento.
Classes gramaticais que aparecem nas frases
A gramática tradicional organiza as palavras em dez classes. Cinco delas costumam ser consideradas variáveis, pois podem sofrer flexão de gênero, número, pessoa, tempo ou modo: substantivo, artigo, adjetivo, numeral, pronome e verbo. As outras são invariáveis: advérbio, preposição, conjunção e interjeição.

Na prática, é melhor compreender o uso de cada classe do que decorar uma lista isolada. O contexto mostra se uma palavra está nomeando, qualificando, indicando ação, ligando termos ou acrescentando uma circunstância ao enunciado.
- Substantivo: nomeia seres, coisas, lugares, sentimentos, ações ou ideias.
- Artigo: acompanha o substantivo e ajuda a determiná-lo.
- Adjetivo: atribui característica ao substantivo.
- Pronome: substitui ou acompanha o substantivo.
- Numeral: expressa quantidade, ordem, multiplicação ou fração.
- Verbo: indica ação, estado, mudança de estado ou fenômeno da natureza.
- Advérbio: modifica verbo, adjetivo ou outro advérbio.
- Preposição: estabelece relação entre palavras.
- Conjunção: conecta orações ou termos semelhantes.
- Interjeição: expressa emoção, reação, apelo ou chamamento.
O material de referência da Academia Brasileira de Letras sobre a gramática do português ajuda a situar essas classificações no estudo formal da língua. Ainda assim, ao analisar uma frase, a leitura atenta do enunciado permanece indispensável.
Como fazer a análise morfológica passo a passo
O procedimento pode ser simples quando é feito com método. Não comece atribuindo rótulos automaticamente: leia a frase completa, localize as palavras que ela contém e observe as relações de sentido. Em muitas situações, um mesmo termo só pode ser classificado com segurança depois que se entende o contexto.

Palavras como “muito”, “meio”, “bastante”, “alerta” e “cedo” são exemplos comuns de termos cuja classificação pode variar. Portanto, ao encontrar uma palavra aparentemente conhecida, verifique o que ela modifica ou a ideia que expressa naquela ocorrência.
- Leia a frase inteira e compreenda a mensagem.
- Separe mentalmente as palavras, incluindo contrações como “do”, “na” e “pelos”.
- Identifique primeiro os verbos, pois eles estruturam grande parte do enunciado.
- Localize os substantivos e as palavras que os determinam ou caracterizam.
- Reconheça conectivos, advérbios e pronomes pelo sentido e pela relação que estabelecem.
- Registre a classe gramatical e, quando necessário, suas flexões relevantes.
- Revise os termos que podem mudar de classe conforme o contexto.
O cuidado com contrações
Contrações reúnem duas palavras ou mais. “Do”, por exemplo, resulta da combinação da preposição “de” com o artigo definido “o”. Em uma análise detalhada, é adequado registrar: “do = preposição de + artigo definido o”. O mesmo vale para “na” (em + a), “pelos” (por + os) e “desta” (de + esta).
Esse cuidado evita que uma forma contraída seja tratada como se fosse uma classe gramatical independente. A contração é uma união gráfica e fonética de elementos que continuam tendo naturezas distintas.
20 frases com análise morfológica comentada
Os exemplos abaixo apresentam construções de níveis variados. A proposta não é apenas fornecer uma resposta pronta, mas mostrar o raciocínio que permite chegar à classificação. Em atividades escolares, siga o grau de detalhamento exigido pelo professor ou pela banca.
Frases 1 a 5: elementos básicos da oração
1. A menina alegre sorriu.
“A” é artigo definido feminino singular; “menina” é substantivo comum feminino singular; “alegre” é adjetivo uniforme no feminino singular; “sorriu” é verbo “sorrir”, na terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo.
2. Os pássaros voam alto.
“Os” é artigo definido masculino plural; “pássaros” é substantivo comum masculino plural; “voam” é verbo “voar”, na terceira pessoa do plural do presente do indicativo; “alto” é advérbio de modo, pois modifica o verbo “voam”. Embora tenha forma igual à de um adjetivo masculino singular, aqui não caracteriza um substantivo.
3. Meu irmão comprou três cadernos.
“Meu” é pronome possessivo masculino singular; “irmão” é substantivo comum masculino singular; “comprou” é verbo “comprar”, na terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo; “três” é numeral cardinal; “cadernos” é substantivo comum masculino plural.
4. Ela chegou cedo ao trabalho.
“Ela” é pronome pessoal do caso reto, terceira pessoa do singular; “chegou” é verbo “chegar”, na terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo; “cedo” é advérbio de tempo; “ao” é contração de “a” + “o”, isto é, preposição “a” e artigo definido “o”; “trabalho” é substantivo comum masculino singular.
5. A chuva caiu durante a noite.
“A” é artigo definido feminino singular; “chuva” é substantivo comum feminino singular; “caiu” é verbo “cair”, na terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo; “durante” é preposição; “a” é artigo definido feminino singular; “noite” é substantivo comum feminino singular.
Frases 6 a 10: pronomes, preposições e conectivos
6. Aqueles livros pertencem a ela.
“Aqueles” é pronome demonstrativo masculino plural, acompanhando o substantivo; “livros” é substantivo comum masculino plural; “pertencem” é verbo “pertencer”, na terceira pessoa do plural do presente do indicativo; “a” é preposição; “ela” é pronome pessoal do caso reto empregado após preposição.
7. Ninguém encontrou minha chave.
“Ninguém” é pronome indefinido; “encontrou” é verbo “encontrar”, na terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo; “minha” é pronome possessivo feminino singular; “chave” é substantivo comum feminino singular.
8. Estudarei porque a prova será difícil.
“Estudarei” é verbo “estudar”, na primeira pessoa do singular do futuro do presente do indicativo; “porque” é conjunção subordinativa causal; “a” é artigo definido feminino singular; “prova” é substantivo comum feminino singular; “será” é verbo “ser”, na terceira pessoa do singular do futuro do presente do indicativo; “difícil” é adjetivo uniforme singular.
9. Nós viajaremos de ônibus amanhã.
“Nós” é pronome pessoal do caso reto, primeira pessoa do plural; “viajaremos” é verbo “viajar”, na primeira pessoa do plural do futuro do presente do indicativo; “de” é preposição; “ônibus” é substantivo comum masculino, com forma invariável no singular e no plural; “amanhã” é advérbio de tempo.
10. Porém, todos permaneceram calmos.
“Porém” é conjunção coordenativa adversativa; “todos” é pronome indefinido; “permaneceram” é verbo “permanecer”, na terceira pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo; “calmos” é adjetivo masculino plural.
Frases 11 a 15: palavras que exigem atenção ao contexto
11. Eles falaram muito durante a reunião.
“Eles” é pronome pessoal do caso reto; “falaram” é verbo “falar”, na terceira pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo; “muito” é advérbio de intensidade, pois intensifica o verbo “falaram”; “durante” é preposição; “a” é artigo definido feminino singular; “reunião” é substantivo comum feminino singular.
12. Muitas pessoas chegaram cansadas.
“Muitas” é pronome indefinido feminino plural, acompanhando “pessoas”; “pessoas” é substantivo comum feminino plural; “chegaram” é verbo “chegar”, na terceira pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo; “cansadas” é adjetivo feminino plural, pois caracteriza “pessoas”.
13. O jovem respondeu meio irritado.
“O” é artigo definido masculino singular; “jovem” é substantivo comum masculino singular; “respondeu” é verbo “responder”, na terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo; “meio” é advérbio de intensidade, com sentido de “um pouco”, e por isso permanece invariável; “irritado” é adjetivo masculino singular.
14. Comprei meio quilo de farinha.
“Comprei” é verbo “comprar”, na primeira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo; “meio” é numeral fracionário, pois indica metade de uma unidade; “quilo” é substantivo comum masculino singular; “de” é preposição; “farinha” é substantivo comum feminino singular.
15. Os alunos ficaram bastante atentos.
“Os” é artigo definido masculino plural; “alunos” é substantivo comum masculino plural; “ficaram” é verbo “ficar”, na terceira pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo; “bastante” é advérbio de intensidade, porque modifica o adjetivo “atentos”; “atentos” é adjetivo masculino plural.
Frases 16 a 20: estruturas variadas
16. Que bela surpresa!
“Que” é pronome exclamativo; “bela” é adjetivo feminino singular; “surpresa” é substantivo comum feminino singular. O ponto de exclamação reforça o valor expressivo do enunciado, mas não altera a classificação das palavras.
17. Ah! Eu esqueci o documento.
“Ah!” é interjeição; “eu” é pronome pessoal do caso reto, primeira pessoa do singular; “esqueci” é verbo “esquecer”, na primeira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo; “o” é artigo definido masculino singular; “documento” é substantivo comum masculino singular.
18. Quando você chegar, avise-me.
“Quando” é conjunção subordinativa temporal; “você” é pronome de tratamento; “chegar” é verbo “chegar”, no futuro do subjuntivo, terceira pessoa do singular; “avise” é verbo “avisar”, no imperativo afirmativo; “me” é pronome pessoal oblíquo átono, primeira pessoa do singular.
19. A decisão foi tomada pelos diretores.
“A” é artigo definido feminino singular; “decisão” é substantivo comum feminino singular; “foi” é verbo “ser”, na terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo; “tomada” é particípio do verbo “tomar”, empregado na locução verbal passiva; “pelos” é contração de “por” + “os”; “diretores” é substantivo comum masculino plural.
20. O não dele foi definitivo.
“O” é artigo definido masculino singular; “não” é advérbio de negação substantivado, pois vem acompanhado de artigo e funciona como nome da resposta negativa; “dele” é contração da preposição “de” com o pronome pessoal “ele”; “foi” é verbo “ser”, na terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo; “definitivo” é adjetivo masculino singular.
Erros frequentes e como evitá-los
Um erro recorrente é classificar uma palavra apenas pela aparência. Em “Ele fala baixo”, “baixo” funciona como advérbio de modo, porque modifica “fala”. Já em “O muro baixo caiu”, “baixo” é adjetivo, pois caracteriza o substantivo “muro”. A forma é a mesma, mas o emprego muda.

Outro problema comum é chamar qualquer palavra que acompanha um substantivo de adjetivo. Artigos, pronomes possessivos, demonstrativos, indefinidos e numerais podem acompanhar substantivos, mas pertencem a outras classes. Em “Estas duas casas antigas”, “estas” é pronome demonstrativo, “duas” é numeral cardinal, “casas” é substantivo e “antigas” é adjetivo.
“A palavra não é transparente: ela é espessa, ocupa espaço, tem peso, cor, cheiro.”
Carlos Drummond de Andrade
A observação do poeta lembra que as palavras não devem ser tratadas como etiquetas automáticas. Na gramática, cada termo ganha valor a partir do lugar que ocupa e do sentido que constrói com os demais elementos do texto.
Palavras com mais de uma possibilidade de classificação
Considere “jantar”. Em “O jantar está pronto”, a palavra é substantivo. Em “Vamos jantar cedo”, é verbo. O contexto é o critério decisivo. Algo semelhante ocorre com “andar”: pode ser substantivo em “O andar superior está vazio” e verbo em “Eles preferem andar a pé”.
Para aprofundar essas questões, a consulta a um dicionário confiável é uma estratégia útil, pois ele apresenta diferentes acepções e classificações de uma mesma palavra. O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa é uma fonte reconhecida para verificar grafias e registros lexicais.
Como praticar e conferir suas respostas
A prática consistente desenvolve rapidez e precisão. Escolha frases curtas de livros didáticos, notícias, letras de canções ou textos autorais e faça a classificação palavra por palavra. Em seguida, compare sua solução com uma gramática, um dicionário ou a orientação do professor.

Não é necessário começar por períodos longos. Frases simples permitem consolidar a identificação de artigos, substantivos, adjetivos e verbos. Depois, avance para estruturas com orações subordinadas, locuções verbais, pronomes relativos, conectivos e palavras substantivadas.
Roteiro de revisão
Ao revisar uma análise, pergunte-se se há verbo e qual ideia ele expressa; quais palavras nomeiam seres ou conceitos; quais termos determinam ou caracterizam esses nomes; e quais elementos apenas conectam, intensificam, negam ou indicam circunstâncias. Essas perguntas ajudam a encontrar classificações equivocadas.
Também vale escrever duas frases com a mesma palavra em usos diferentes. Por exemplo: “O cantar dos pássaros alegrou a manhã” e “Os pássaros começaram a cantar”. Na primeira, “cantar” é substantivo; na segunda, é verbo. Esse contraste torna a noção de classe gramatical mais concreta.
Perguntas frequentes
Análise morfológica e análise sintática são a mesma coisa?
Não. A análise morfológica identifica a classe gramatical da palavra, como substantivo, verbo ou pronome. A análise sintática identifica a função que o termo exerce na oração, como sujeito, objeto, predicativo ou adjunto adverbial.
Uma palavra pode mudar de classe gramatical?
Sim. A classificação depende do contexto. “Jantar” pode ser substantivo em “O jantar acabou” e verbo em “Vamos jantar”. Da mesma forma, “não” pode ser advérbio de negação ou substantivo quando aparece em construções como “O não foi inesperado”.
Artigo e pronome são classificados do mesmo modo?
Não. Ambos podem acompanhar substantivos, mas o artigo determina o nome de maneira mais direta, enquanto o pronome pode indicar posse, localização, quantidade indefinida, pessoa do discurso e outras relações. Em “A minha mochila”, “a” é artigo e “minha” é pronome possessivo.
É obrigatório indicar gênero, número, tempo e pessoa?
Isso depende do nível de detalhamento solicitado. Em atividades completas, é recomendável informar as flexões relevantes: gênero e número para nomes e adjetivos; pessoa, número, tempo e modo para verbos. Se a instrução pedir apenas a classe, uma resposta mais breve pode ser suficiente.
Conclusão
Dominar a análise morfológica significa compreender como as palavras se organizam no idioma antes mesmo de investigar suas funções na oração. O processo se torna mais seguro quando você lê o contexto, identifica os verbos, observa os substantivos e analisa cuidadosamente os termos que os acompanham ou modificam.
As 20 frases apresentadas mostram que o mesmo vocábulo pode assumir classificações distintas conforme o uso. Ao praticar com regularidade, comparar exemplos e justificar cada resposta pelo contexto, você transforma a gramática em uma ferramenta de leitura, escrita e interpretação mais consciente.
Referências
- Academia Brasileira de Letras. Nova Gramática do Português Contemporâneo.
- Academia Brasileira de Letras. Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.
- Bechara, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa.
- Cunha, Celso; Cintra, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo.
Escrito por
Editor-chefe e redator
Editor-chefe do Cultura na Floresta, escreve tutoriais e guias de tecnologia com foco em clareza, pesquisa cuidadosa e aplicação prática no dia a dia.