Como saber o Qualis de uma revista acadêmica
Saber o Qualis de uma revista ajuda pesquisadores e estudantes a analisar periódicos acadêmicos com mais critério. Entenda onde consultar a classificação, como selecionar a área correta, por que o resultado pode variar e quais cuidados tomar antes de submeter um artigo.
Ao escolher onde submeter um artigo, muitos pesquisadores procuram saber a classificação Qualis de uma revista. Essa consulta pode ajudar a compreender como determinado periódico foi avaliado no contexto da pós-graduação brasileira, mas exige atenção: o resultado depende do ciclo avaliativo disponível e, sobretudo, da área de avaliação selecionada.

O Qualis não é um selo permanente de qualidade absoluta nem uma garantia de aceitação, impacto científico ou boa conduta editorial. Trata-se de uma classificação utilizada no âmbito da avaliação da produção intelectual vinculada aos programas de pós-graduação. Por isso, a leitura correta envolve verificar a fonte, identificar o periódico sem ambiguidades e analisar outros elementos antes de enviar um manuscrito.
Neste guia, você verá como localizar a informação, interpretar a classificação com prudência e combinar esse dado com critérios práticos, como escopo, indexação, transparência editorial e adequação do seu texto à revista.
O que é Qualis e por que ele aparece na escolha de revistas
O Qualis Periódicos é um sistema de classificação de veículos de divulgação científica associado à avaliação da produção intelectual dos programas de pós-graduação no Brasil. Ele é relacionado à atuação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, a CAPES, fundação pública ligada ao Ministério da Educação.
Na prática, quando uma pessoa pergunta qual é o Qualis de uma revista, normalmente quer saber em qual estrato aquele periódico aparece em uma determinada área de avaliação. Os estratos costumam ser apresentados em uma escala que vai de A1, em posição mais alta, até C. Entretanto, a classificação não deve ser interpretada fora de contexto, porque os parâmetros de avaliação e a relação entre periódico e área podem variar.
Qualis não substitui a análise da revista
Uma revista pode ter boa adequação temática, revisão por pares séria e alcance relevante para uma comunidade específica, mesmo que a classificação disponível não seja a mais alta na área que você consultou. Da mesma forma, uma classificação favorável não elimina a necessidade de conferir as regras editoriais, os custos, a política de ética e a reputação do periódico.
Também é importante separar avaliação de revista de avaliação individual de artigo. A qualidade de um estudo depende do problema de pesquisa, do método, da clareza dos dados, da discussão e da integridade científica. O veículo é relevante para a circulação do conhecimento, mas não resume o valor de cada trabalho publicado.
“Na ciência, como na vida, nada se deve aceitar sem exame.”
René Descartes, princípio associado ao método cartesiano
Onde consultar o Qualis de uma revista
A fonte mais adequada para iniciar a busca é a plataforma de dados e informações da CAPES. A consulta costuma ser feita pelo módulo de classificação de periódicos, disponível no ambiente da Plataforma Sucupira. Como sistemas públicos podem atualizar telas, filtros e nomenclaturas, vale observar cuidadosamente os campos exibidos no momento da pesquisa.

Antes de pesquisar, reúna as informações exatas da revista. O ISSN é o identificador mais seguro, pois títulos podem ter grafias semelhantes, versões impressas e eletrônicas ou mudanças de nome ao longo do tempo. Quando o ISSN não estiver à mão, use o título oficial completo e confirme o resultado com os dados apresentados pela própria revista.
Dados que você deve separar antes da consulta
Uma pesquisa bem preparada diminui o risco de selecionar um periódico errado. A página institucional da revista, geralmente acessada pelo site do editor ou de uma universidade, costuma informar o título, o ISSN, a editora, a área temática e a periodicidade.
- Título oficial: copie o nome como aparece no expediente da revista.
- ISSN: priorize o ISSN eletrônico ou impresso correspondente à versão que deseja verificar.
- Área de avaliação: defina a área ligada ao seu programa de pós-graduação ou à finalidade da consulta.
- Ciclo avaliativo: observe qual período de classificação está sendo exibido na base.
- Editora e país: use essas informações para confirmar que encontrou o periódico correto.
Evite usar exclusivamente sites de terceiros que prometem mostrar o Qualis de forma instantânea. Eles podem reproduzir dados antigos, apresentar classificação fora da área apropriada ou confundir periódicos com nomes parecidos. Se recorrer a uma ferramenta auxiliar, trate-a como ponto de partida e confirme o resultado na fonte institucional.
Passo a passo para encontrar a classificação
O caminho exato pode mudar conforme a organização da plataforma, mas a lógica da consulta é estável: acessar a área de classificação, pesquisar o periódico, escolher os filtros disponíveis e conferir o resultado com atenção. Não se apresse ao ver a primeira ocorrência, principalmente se a busca tiver sido feita apenas por palavras do título.
Se a página oferecer mais de um campo de pesquisa, o ISSN tende a gerar resultado mais preciso. Caso a revista possua dois ISSNs, teste ambos e observe se a base registra as versões de forma conjunta ou separada. Em qualquer cenário, registre a informação de modo verificável, incluindo área e período consultado.
- Acesse a área de consulta de periódicos da Plataforma Sucupira.
- Procure o campo de pesquisa por ISSN ou por título do periódico.
- Informe o ISSN completo, sem alterar dígitos, ou digite o título oficial.
- Selecione o ciclo ou período disponível para a classificação.
- Escolha a área de avaliação pertinente à sua consulta, quando houver esse filtro.
- Confira título, ISSN, editora e demais dados para validar que o resultado corresponde à revista.
- Anote o estrato mostrado junto com a área e o ciclo, evitando registrar apenas “A1”, “A2” ou outra faixa isolada.
Como documentar a consulta de forma correta
Em relatórios acadêmicos, currículos, processos internos ou conversas com orientadores, uma anotação completa evita mal-entendidos. Em vez de escrever apenas “a revista é Qualis A”, prefira uma formulação contextualizada, como: “Periódico identificado no estrato X, na área Y, conforme o ciclo de classificação disponível na consulta realizada”.
Guarde uma captura de tela ou registre em uma planilha o título, o ISSN, a área, o período e o estrato encontrado. Essa prática é útil porque bases podem ser atualizadas e porque a mesma revista pode aparecer de maneira distinta conforme o recorte da avaliação. O registro não substitui a fonte, mas melhora a rastreabilidade da informação usada.
Entenda os estratos e a importância da área
Os estratos são frequentemente apresentados como A1, A2, A3, A4, B1, B2, B3, B4 e C, conforme o modelo de classificação usado no ciclo consultado. Em termos gerais, os estratos A ocupam posições superiores àqueles iniciados por B, enquanto C corresponde à faixa mais baixa. Ainda assim, essa ordem não autoriza comparações simplistas entre campos muito diferentes.

Uma revista interdisciplinar, por exemplo, pode dialogar com Educação, Saúde, Ciências Ambientais e Administração. A relevância dela para um artigo depende do escopo e do público leitor, e não apenas do rótulo resumido por uma faixa. Para a pós-graduação, o que interessa muitas vezes é a classificação pertinente à área que está avaliando a produção.
| Elemento da consulta | O que verificar | Por que isso importa |
|---|---|---|
| ISSN | Se corresponde à versão correta da revista | Evita confundir periódicos com nomes semelhantes ou versões distintas |
| Título | Nome oficial e eventuais mudanças de denominação | Ajuda a confirmar a identidade do veículo |
| Área de avaliação | Área relacionada ao programa ou ao objetivo da análise | A classificação pode ter sentido diferente conforme o campo avaliado |
| Ciclo disponível | Período a que a informação se refere | Impede apresentar dado histórico como se fosse atual e permanente |
| Estrato | Faixa exibida no resultado da busca | Permite comunicar a classificação com o contexto necessário |
Por que a mesma revista pode gerar dúvidas
As dúvidas surgem porque a classificação é parte de uma política de avaliação que considera áreas e ciclos específicos. Além disso, mudanças no título, na editora, no ISSN ou na forma de registro podem afetar a busca. Uma revista que migrou do formato impresso para o eletrônico, por exemplo, pode exigir atenção extra ao identificador utilizado.
Outro ponto é que documentos e listas compartilhados em grupos de pesquisa podem estar desatualizados. Antes de basear uma decisão importante em uma planilha antiga, compare a informação com a plataforma oficial e converse com a coordenação do curso, seu orientador ou a biblioteca da instituição quando houver dúvida sobre a regra aplicável.
Como avaliar uma revista além do Qualis
Escolher um periódico somente pelo estrato pode levar a uma submissão inadequada. Um bom artigo precisa chegar a leitores interessados no tema, e a revista deve ter escopo compatível com sua abordagem. Leia artigos recentes publicados pelo periódico para entender quais perguntas de pesquisa, métodos e referências costumam ser aceitos.

Também observe a transparência do processo editorial. Uma revista confiável costuma apresentar claramente a composição do conselho editorial, as instruções para autores, a política de revisão por pares, as normas éticas, a declaração sobre conflitos de interesse e informações de contato institucional. A ausência persistente desses dados é um sinal para investigar com cuidado.
Critérios práticos para comparar periódicos
- Escopo: confirme se o tema, a abordagem e o tipo de artigo se encaixam na linha editorial.
- Indexação: verifique em quais bases reconhecidas a revista informa estar indexada e confirme, quando possível, na própria base.
- Revisão por pares: procure explicação objetiva sobre o modelo de avaliação dos manuscritos.
- Políticas éticas: confira regras sobre plágio, autoria, dados de pesquisa, retratações e conflitos de interesse.
- Taxas: identifique com antecedência eventuais cobranças de submissão ou publicação e suas condições.
- Prazo e comunicação: desconfie de promessas de aprovação garantida ou revisão excessivamente rápida sem explicação.
Para conhecer boas práticas de publicação e integridade, uma referência internacional útil é o Committee on Publication Ethics, conhecido pela sigla COPE. As orientações da organização ajudam autores, editores e avaliadores a reconhecer procedimentos editoriais responsáveis, embora não substituam as regras específicas de cada instituição ou periódico.
Sinais de alerta antes de enviar seu artigo
O crescimento da publicação científica digital ampliou o acesso a revistas legítimas, mas também facilitou o surgimento de práticas editoriais problemáticas. Por isso, não envie o manuscrito apenas porque recebeu um convite por e-mail ou porque o periódico promete publicação rápida. Convites genéricos, com elogios vagos e sem relação clara com sua pesquisa, merecem exame adicional.
Verifique se a revista pertence de fato à editora anunciada, se os membros do conselho editorial podem ser identificados e se o endereço de contato é profissional. Procure a revista em bases e diretórios que ela declara integrar, em vez de confiar somente nos logotipos exibidos na página. Leia ainda textos já publicados para avaliar a consistência editorial.
Quando interromper a submissão e pedir orientação
Pare antes de submeter se a revista exigir pagamento sem informar claramente valores e condições, apresentar informações contraditórias ou alegar indexações que não podem ser confirmadas. O mesmo cuidado vale para promessas de aceite garantido, pressão para pagar imediatamente ou solicitações de transferência de direitos sem explicação adequada.
Se houver incerteza, peça ajuda ao orientador, a colegas experientes, à biblioteca universitária ou à coordenação da pós-graduação. Uma decisão mais lenta e bem fundamentada costuma ser preferível a publicar em um veículo incompatível com os objetivos do trabalho ou com práticas editoriais pouco transparentes.
Uso responsável do Qualis em decisões acadêmicas
O Qualis pode ser um elemento útil de planejamento, especialmente quando editais, programas ou regulamentos internos fazem referência à classificação de periódicos. Nesses casos, leia a regra específica do processo: ela pode definir ciclo, área, data de corte, lista própria ou critérios complementares. Não presuma que qualquer classificação encontrada atende automaticamente a uma exigência institucional.

Ao montar uma estratégia de publicação, comece pelo encaixe científico e depois considere os indicadores e requisitos administrativos. Um manuscrito bem ajustado ao escopo tende a receber avaliação mais pertinente e alcançar interlocutores mais interessados. Em contrapartida, escolher uma revista apenas por uma posição classificatória pode resultar em rejeição editorial inicial, atraso no cronograma e desperdício de esforço.
Adote uma visão equilibrada: registre a classificação de maneira completa, avalie a confiabilidade do periódico e respeite as normas da sua instituição. Essa combinação é mais segura do que transformar um único indicador em critério absoluto para decisões científicas.
Perguntas frequentes
O Qualis de uma revista é igual para todas as áreas?
Não necessariamente. A consulta precisa considerar a área de avaliação e o ciclo disponíveis na base. Por isso, ao informar o resultado, mencione sempre o estrato junto com a área e o período consultado.
Posso consultar o Qualis apenas pelo nome da revista?
É possível pesquisar pelo título, mas o ISSN é mais confiável para confirmar a identidade do periódico. Títulos semelhantes, abreviações e mudanças de nome podem produzir resultados equivocados se a verificação não for cuidadosa.
Uma revista sem classificação deve ser descartada?
Não automaticamente. A ausência de resultado pode decorrer de cobertura, período, área, mudança de título ou forma de registro. Investigue o escopo, a indexação, a editora e as políticas editoriais; se houver requisito institucional, confirme a regra com a coordenação do programa.
Ter Qualis alto garante que a revista é adequada ao meu artigo?
Não. A adequação depende principalmente do escopo, do público, do tipo de estudo e das normas para autores. Além disso, é essencial verificar a transparência editorial e as práticas de revisão por pares antes da submissão.
Conclusão
Para descobrir a classificação de um periódico, consulte a Plataforma Sucupira, pesquise preferencialmente pelo ISSN e confirme cuidadosamente o título, a área de avaliação e o ciclo exibido. O dado só faz sentido quando acompanhado desse contexto, pois uma sigla isolada pode induzir a interpretações incorretas.
Use a classificação como uma das etapas da escolha editorial, e não como único critério. A análise do escopo, da ética, da indexação, das regras de submissão e da reputação do periódico protege seu trabalho e aumenta a chance de que ele circule entre os leitores certos. Em caso de exigências formais ou dúvidas de interpretação, busque orientação na sua instituição.
Referências
- Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Plataforma Sucupira.
- Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Documento sobre a classificação de periódicos no Qualis.
- Committee on Publication Ethics (COPE). Core Practices.
- SciELO Brasil. Critérios, política e procedimentos para admissão e permanência de periódicos.
- Diretório de Periódicos de Acesso Aberto (DOAJ). Princípios de transparência e boas práticas em publicação acadêmica.
Escrito por
Editor-chefe e redator
Editor-chefe do Cultura na Floresta, escreve tutoriais e guias de tecnologia com foco em clareza, pesquisa cuidadosa e aplicação prática no dia a dia.